domingo, 17 de abril de 2011

Coração adolescente



Em geral, a maioria das pessoas que param pra analisar minha vida ficam admiradas. Me veem por fora como a jovem de 21 anos que já é independente, funcionária pública, estuda em uma das melhores universidades do pais e blablabla. Realmente essa é a carcaça. Alguns amigos que tem um contato mais próximo somam as descrições citadas anteriormente à minha "autosuficiencia", minha personalidade forte, minha queda por posições de liderança, meu lado psicóloga... Mas o que ninguém vê é que por baixo de toda essa fortaleza inabalável existe uma menininha. Tudo bem, tudo bem...não tão menininha assim. Na verdade existe uma adolescente - eu arriscaria dizer até sua idade: 14 anos.

Quando penso na minha adolescencia é essa idade que me vem com mais carinho à mente. Com 14 anos eu decidi que profissão iria seguir, fiz alguns dos meus melhores amigos para a vida inteira, era atriz, amei pela primeira vez e vivi meu primeiro grande amor. Foi uma fase feliz, talvez a mais feliz até hoje...

Hoje em dia existe muito pouco dessa adolescente em mim. A vida me levou para caminhos que eu não esperava... O primeiro amor não se tornou o homem da minha vida, os melhores amigos continuam sendo melhores, mas já não estão tão próximos, a carreira de atriz se tornou apenas uma lembrança num álbum de fotos... Mas hoje percebi que um pouco dessa garota ainda está aqui. Afinal, esperar ansiosamente por um SMS o dia inteiro é ou não é coisa de adolescente?!

Sete anos se passaram desde essa "fase feliz" e muita coisa aconteceu durante esse tempo: muitas lágrimas foram derramadas,mas tive momentos de sorrisos também; pessoas entraram e sairam da minha vida; objetivos foram alcançados, novas metas foram traçadas, planos foram refeitos, decepções surgiram no caminho... e com as porradas da vida (principalmente com as do último ano até agora) achei melhor fechar o coração para balanço por tempo indeterminado.


Coração fechado = impossibilidade de sofrimento


A conclusão mais lógica e racional que qualquer ser humano chegaria. Certo? Óbvio que não! (Eis mais uma conclusão que meus alunos chegariam fácil, fácil). Não adianta nada se fechar para um mundo que está a sua volta. Não escolhemos os sentimentos, não é possível selecioná-los. Querendo fechar os olhos e o coração para tudo que me rodeia acabei perdendo preciosos momentos, com preciosas pessoas. E esses momentos não voltam mais.


Não adianta acreditar nessa história de não amar para não sofrer. Lamento informar, mas não dá certo. O sofrimento faz parte. É lógico que ele não pode ser maior do que todo o conjunto da obra (e se for, dá um jeito de pular fora!), mas ele nos faz crescer. Hoje compreendo isso.


Como diz a música: "Vou deixar a vida me levar pra onde ela quiser". Já percebi que a minha mania de fazer planos em relação a tudo não me faz tão bem quanto eu achava que fazia. Existem coisas na vida que não podem ser planejadas, pois não sabemos quais são as peças que o destino vai nos pregar daqui a 5 anos nem daqui a 5 minutos. É preciso aprender a lidar com as surpresas do caminho, sejam elas boas ou ruins (principalmente com as ruins).


Decidi que vou me permitir! Vou me permitir matar aula, vou me permitir comer besteira, vou me permitir brincar de pique com meus alunos, vou me permitir ligar o ar-condicionado o tempo que for sem me preocupar com a conta de luz, vou me permitir arrumar a casa só quando der vontade, vou me permitir jogar conversa fora com meus amigos, vou me permitir sair com alguém sem o compromisso de fazer aquele alguém virar meu príncipe encantado, vou me permitir tomar um porre com Absolut de baunilha (a Lu e o Emersola que o digam, kkkk), vou me permitir ser eu, ser livre, ser leve...


O que me deixa mais feliz é que mesmo tendo passado por essa fase cinza de coração fechado, hoje sinto que estou preparada para abrí-lo novamente. E o melhor de tudo isso foi descobrir que a garota que me ensinou a amar ainda continua viva aqui dentro - ela estava apenas adormecida.

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