sábado, 26 de março de 2011

Sobre coragem (ou a falta dela)

Nunca fui do tipo de pessoa que demonstra os sentimentos com facilidade. Sempre evitei falar do que sinto, como sinto, porque sinto...eu só sinto. E, geralmente, não demonstro. Sempre vi isso como uma maneira de me proteger, de me defender. Pelo menos era assim até bem pouco tempo. Depois de um grande choque, cheguei a conclusão de que não dá pra ser assim, pois a sensação de ter deixado de dizer tudo que gostaria para alguém que se ama é horrível. O que me conforta é saber que mesmo não tendo dito com palavras, acho que de certa maneira consegui demonstrar (pelo menos nesse caso).

Quando cheguei a essa brilhante conclusão (que qualquer um dos meus alunos de 7 anos poderia chegar sem nenhum esforço), e resolvi mudar minha postura frente às pessoas que amo e que são importantes pra mim, uma dessas pessoas se fechou.

DROGAAAAAAAAA!!! Quando eu finalmente resolvo me abrir e dizer o quanto gosto, o quanto queria te-lo por perto, o quanto ele é importante pra mim, ele muda. =/ Muda a atitude, muda o discurso, muda comigo. Se distancia, se afasta...

E agora, o que fazer? Não faço a mínima ideia. Às vezes me dá vontade de forçar um encontro, olhar nos olhos e dizer: Eiii, eu gosto de você, será que dá pra entender?! Pára de colocar um muro aqui no meio! Sinto sua falta, sinto falta da sua presença, do seu abraço, de te dar a mão. Outras vezes o medo bate e o alerta vermelho interior é ligado: "Ta maluca? Vai receber uma resposta que não quer ouvir, ou indiferença (o que é ainda pior!) Deixa tudo como está."

Certamente quem leu até aqui imaginou: "ihh tá apaixonada! " Já informo aos navegantes que não, não estou. Mas esse alguém citado anteriormente é uma pessoa que não quero perder, que não quero que saia da minha vida. Não o quero apenas como um contato a mais na minha lista de inumeros contatos do msn, um telefone a mais na agenda do meu celular. Quero estar perto, quero pedir (e dar) colo, quero poder abraçar de novo, quero poder desfrutar do silêncio que para nós não se faz silencioso, pois há muito mais além das palavras. Não é só um amigo, mas não se limita a um homem. É difícil de explicar. Só sei que é forte.

Tenho amigos que estão à quilometros de distância, mas sinto como se estivessem ao meu lado. Pessoas que amo e que se fazem presentes mesmo na ausência física. Mas essa amizade a qual me refiro nesse post é diferente: é uma amizade que necessita do toque, do olhar, do afago. Queria entender o porque, já que isso nunca fez muito meu estilo...mas há algum tempo alguém me disse que há coisas que não devem entendidas. Se for assim, talvez esta seja uma delas.

Acho que se eu conseguir derrubar essa barreira (que pela primeira vez não está sendo imposta por mim) a minha relação com as pessoas vai mudar. Talvez a coragem de expressar sentimentos se torne mais frequente na minha vida e desta forma poderei me sentir mais leve. Mas não quero pensar agora em como será depois. Quero apenas me manter firme e confiante de que me abrir é a melhor maneira. O primeiro passo já foi dado. Só espero que para dar o próximo a coragem não me falte.

Finalizo este post com uma inspiradora citação de Chaplin: "Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante!"

É isso aí, "vamo que vamo"!

Quando se perde alguém

Ontem fui às Lojas Americanas comprar um DVD da Turma da Monica para utilizar na minha aula sobre Maurício de Sousa. Acabei levando também um box de filmes do Elvis (que me fez lembrar do Alencar) pro meu pai e dois cd's pra minha mãe: Raça Negra e Leonardo (suas paixões!).

Hoje quando acordei me deu vontade de ouvir o cd do Leonardo - acho que acordei com alma sertaneja! Eis algumas faixas do cd: "Não aprendi dizer adeus", "Desculpe, mas eu vou chorar" "Pensa em mim"...nem preciso dizer o resultado desse mix. Turbilhão de lembranças e emoções à flor da pele.

É incrível como é complexo o estado das pessoas que perderam alguém querido. No começo dói muito, pra caramba, muito mesmo, parece que há um trator esmagando seu coração. Aí depois o tempo vai passando e aos pouquinhos parece que a dor ameniza. Até que um dia você se dá conta de que a vida voltou ao normal: você voltou a estudar, a trabalhar, a sair, a comer (é, eu não comia!)...e pensa: "é, acho que superei. Estou lidando bem com o que aconteceu" e basta uma música que fale de saudade, uma peça de roupa desse alguém que estava esquecida naquela gaveta que você nunca mexe, o lugar onde você e o seu alguém querido caminhavam juntos e parece que aquele misto de tristeza e saudade vem a tona como se tudo tivesse acontecido ontem.

Mas pensando bem, esses altos e baixos devem fazer parte do processo. O que não dá é se entregar na tristeza profunda, esquecer da vida e das pessoas importantes que fazem parte dela. Também não dá pra acreditar na ilusão de que nunca mais vai doer, foi só naquele momento e pronto. ÓBVIO QUE NÃO! Levando em consideração os dois extremos, acho até que estou me saindo bem...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Inverso

Hoje é uma data onde eu, teoricamente, deveria estar triste. Mas como tudo em mim parece ser diferente do resto do universo, não estou. Pelo contrário, sinto uma leveza, uma paz... Poderia até arriscar dizer que tenho a sensação de que coisas boas vão acontecer.

É estranho pensar na vida e ver que ela nos leva a caminhos que jamais poderíamos imaginar, nos faz conhecer pessoas que jamais imaginaríamos conhecer, sentir coisas que nunca pensamos ser capazes de sentir - bem, pelo menos comigo é assim.

Eu sou do tipo de pessoa que planeja tudo, tudo mesmo. Até bem pouco tempo eu já tinha toda a minha vida traçada na mente (com datas exatas!). Período de conclusão da graduação, ingresso e conclusão do mestrado e em seguida do doutorado. Mas um belo dia um amigo vira para mim e pergunta: "Ok, mas quando é que você vai casar e ter filhos? Com 40 anos?!" Obviamente, meu lado racional respondeu na hora: "Eu aqui falando dos meus planos de uma carreira brilhante e você vem me falar de casamento, Bruno?! Fala sério, já terei muito trabalho, pra que arrumar mais?" E lá foi ele com a tacada final: "Ah é? E de que adianta virar professora da PUC, Ministra da Educação ou sei lá o que, se quando você estiver velha não vai ter para quem contar como foi chegar lá?" Opa...alerta vermelho! Não dei razão a ele naquele momento, mas fiquei com isso na cabeça. Foi então que eu entendi o porquê dos meus planos.

Para alcançar o ápice da realização profissional você precisa ter 99% de dedicação e 1% de sorte. Ou seja, minhas chances são bem favoráveis. No entanto, em todos os outros aspectos da vida as probabilidades são bem diferentes. Daí, minha opção (mesmo que inconsciente). Em minha carreira só dependo de mim para fazer com que as coisas deem certo. Em coisas como "encontrar a metade da laranja", por exemplo, não é bem assim que funciona.

E por falar nisso, acho essa história de laranja a maior furada. Se arrumar um amor fosse tão fácil quanto escolher uma laranja, eu já teria uma linda história romântica para contar aqui. Tudo bem que eu não sou especialista em escolher frutas, verduras, legumes e afins (afinal, só tem 1 ano que moro sozinha...lala kkk), mas enfim, um dia eu acabaria aprendendo. Mas voltando as probabilidades, nessa história de feirante acho que a sorte assume a posição dos 99%.

Já ouvi também um papo de "sorte no jogo, azar no amor" e cheguei até a considerá-lo durante um tempo. Mas alooooow é determinismo demais!! Assim também não dá.

Então depois de toda essa salada mista, cheguei a conclusão de que dá sim para ser feliz nos dois. Talvez alcançar o ápice não seja tão importante assim...Já nem sei mais, estou repensando muitas coisas nos últimos dois meses. Repensando o que é realmente importante para mim. Confesso que essa ideia de chegar ao topo me agrada, só que o ápice sozinha com certeza não vai ter muita graça. Agora quanto a encontrar a outra metade da laranja... Vou dar um tempo para que ela mesma me encontre, me mande um SMS, um scrap, uma publicação no Facebook ou quem sabe uma carta e quando for a hora certa meu coração vai estar aqui aberto e leve, como sinto que está hoje.

E essa volta ao mundo era só para dizer que hoje eu não estou triste...e por que deveria estar?